Insulina: o que é e como deve ser utilizada
09/03/2021
Atualizado em 27/07/2026
O que é insulina? Saiba para que serve, quais são os tipos, como ela age no organismo, como é feita a aplicação e como armazenar corretamente.
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A insulina é um hormônio essencial para o funcionamento do organismo. Produzida pelo pâncreas, ela ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue e garantir que as células recebam a energia necessária para desempenhar suas funções.
Quando esse mecanismo não funciona adequadamente, podem surgir alterações significativas na saúde, como o diabetes. Nesses casos, além de mudanças no estilo de vida e de outros tratamentos, a insulina pode ser usada como medicamento para ajudar no controle da glicemia.
Afinal, o que é a insulina, como ela funciona no organismo e quando seu uso se torna necessário? Neste artigo do Viver Bem, você vai entender o papel desse hormônio, conhecer os principais tipos de insulina e conferir orientações importantes sobre aplicação, armazenamento e cuidados no dia a dia.
O que é insulina e qual sua função no corpo?
A insulina é um hormônio que tem a função de ajudar o organismo a fazer uso da glicose como fonte de energia. Sem ela, a glicose permanece circulando no sangue em níveis elevados, o que pode trazer prejuízos à saúde ao longo do tempo.
A insulina natural: o hormônio produzido pelo pâncreas
Sempre que consumimos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, frutas e arroz, o organismo transforma parte desses nutrientes em glicose.
Depois de absorvida, a glicose entra na corrente sanguínea e precisa chegar às células para ser aplicada como energia. Nesse momento, entra em ação a insulina, produzida naturalmente pelo pâncreas.
De forma simples, o seu papel é ser uma “chave” que permite a entrada da glicose nas células, ajudando o organismo a aproveitar essa energia de maneira adequada.
O papel da insulina no metabolismo da glicose
Além de permitir que a glicose seja utilizada pelas células, a insulina ajuda a manter o equilíbrio dos níveis de açúcar no sangue.
Quando há glicose em excesso, o organismo pode armazenar parte dessa energia para ser usada posteriormente. Esse mecanismo é importante para garantir o funcionamento adequado de diversos órgãos e sistemas do corpo.
Por isso, a insulina desempenha papel fundamental no metabolismo e na manutenção da saúde.
Quando a insulina medicamentosa se torna necessária?
Em algumas situações, o organismo deixa de produzir insulina em quantidade suficiente ou passa a empregá-la de forma menos eficiente.
Isso acontece principalmente em pessoas com diabetes, doença que acomete mais de 20 milhões de pessoas no Brasil, segundo a SBD. Dependendo do tipo da doença e das necessidades de cada paciente, o médico pode indicar o uso de insulina medicamentosa para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue.
Nesses casos, a insulina utilizada como tratamento desempenha a mesma função do hormônio produzido naturalmente pelo organismo: permitir que a glicose seja absorvida pelas células e ajudar a manter a glicemia dentro dos níveis recomendados.
Leia outros artigos do Viver Bem sobre diabetes:
- Diabetes mellitus: tudo o que você precisa saber sobre a doença
- Perguntas sobre diabetes? A Unimed-BH responde!
Tipos de insulina e como elas agem
Existem diferentes tipos de insulina medicamentosa. A principal diferença entre eles está na velocidade com que começam a agir e no tempo que permanecem atuando no organismo.
A escolha da insulina depende das necessidades de cada pessoa e deve ser feita com orientação médica. Os principais tipos são:
- Insulina de ação rápida ou ultrarrápida: começa a agir em pouco tempo e costuma ser utilizada próxima às refeições para ajudar no controle da glicose após a alimentação.
- Insulina de ação curta: também auxilia no controle da glicemia relacionada às refeições, mas seu início de ação é um pouco mais lento.
- Insulina de ação intermediária: ajuda a manter os níveis de glicose controlados por um período maior do dia e, em alguns casos, pode exigir mais de uma aplicação diária.
- Insulina de ação prolongada: é liberada gradualmente, durante todo o dia, para manter níveis mais estáveis de insulina no organismo.
- Insulina de ação ultraprolongada: apresenta duração ainda maior e pode oferecer mais flexibilidade ao tratamento em algumas situações.
- Insulina pré-misturada: combina diferentes tipos de insulina em uma única aplicação, simplificando a rotina de algumas pessoas com diabetes.
Além das versões injetáveis, existem formulações específicas, como a insulina inalável, indicada apenas para situações e perfis determinados pelo médico.
Independentemente do tipo utilizado, é fundamental seguir corretamente a prescrição e as orientações médicas para garantir a eficácia do tratamento.
Conheça o Glossário do Diabético, um Guia de A a Z elaborado pelo VIver Bem para você se informar sobre os principais termos relacionados ao dia a dia de quem lida com o diabetes.
Guia prático: como aplicar a insulina corretamente?
A aplicação correta da insulina é uma etapa fundamental do tratamento do diabetes. Seguir as orientações da equipe de saúde ajuda a garantir a eficácia do medicamento e reduz o risco de complicações.
Locais de aplicação: onde injetar para melhor absorção
A insulina pode ser aplicada em diferentes regiões do corpo, como:
- Abdômen
- Parte externa das coxas
- Região posterior dos braços
- Nádegas
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Cada área apresenta uma velocidade de absorção diferente; por isso, é importante seguir a orientação médica sobre os locais mais adequados para cada tipo de insulina.
É recomendado também alternar os pontos de aplicação para evitar alterações na pele e garantir uma absorção mais uniforme do medicamento.
Passo a passo da aplicação: técnica e cuidados essenciais
A aplicação pode ser realizada com seringa ou caneta de insulina, conforme a prescrição médica. Antes da aplicação, alguns cuidados são básicos:
- Lavar bem as mãos.
- Verificar a dose prescrita.
- Conferir a validade e o aspecto da insulina.
- Utilizar agulhas e material adequado.
- Respeitar as orientações médicas recebidas.
Em se tratando de como aplicar insulina, recomenda-se a sua homogeneização antes da aplicação, movimentando o frasco, seringa ou caneta de 10 a 20 vezes, com movimentos suaves interpalmares ou em pêndulo, para evitar formação de bolhas.
A via preferencial de aplicação da insulina é a subcutânea, através de agulhas curtas, de 4 mm a 6 mm. Para aplicar, deve ser feita uma prega subcutânea no local da aplicação com os dedos polegar e indicador, introduzindo a agulha curta em um ângulo de 90°, mantendo a prega durante a aplicação. Isso reduz o risco de administração intramuscular.
A agulha deve ser mantida na pele de 5 a 10 segundos após a aplicação, a fim de garantir a administração completa da medicação.
Dicas para evitar dor e complicações (lipodistrofia)
A lipodistrofia é uma alteração no tecido abaixo da pele que pode surgir quando a insulina é aplicada repetidamente no mesmo local. Para ajudar a prevenir esse problema, algumas medidas são recomendadas:
- Fazer o rodízio dos locais de aplicação.
- Evitar aplicar a insulina em áreas com alteração na pele.
- Utilizar a técnica correta orientada pelo profissional de saúde.
- Trocar agulhas e materiais conforme recomendado.
Além de reduzir o risco de desconforto, esses cuidados ajudam a manter uma absorção mais adequada da insulina e contribuem para um melhor controle da glicemia.
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Armazenamento e cuidados com a insulina
Como guardar a insulina em casa: geladeira e temperatura ambiente
O local ideal para armazenamento da insulina são as prateleiras do meio ou as prateleiras inferiores da geladeira. Evite armazená-la na porta, onde estará sujeita a variação de temperatura.
A insulina não deve ser exposta a temperaturas inferiores a 2°C e deve ser retirada da geladeira entre 15 e 30 minutos antes da administração para evitar irritação no local da aplicação. Já as canetas recarregáveis não devem ser armazenadas em geladeira, pois pode haver dano no mecanismo de administração e de ajuste da dose.
Quando fora da geladeira, a insulina deve estar em local fresco, ao abrigo da luz e das oscilações de temperatura, e não deve ser exposta a temperatura superior a 30°C.
Cuidados ao viajar com insulina
Quem faz uso de insulina deve planejar o transporte do medicamento, especialmente em viagens longas ou para locais com temperaturas elevadas.
O ideal é manter a insulina protegida da luz solar direta e do calor excessivo, utilizando bolsas térmicas apropriadas quando necessário. Durante as viagens de avião, recomenda-se transportar a insulina na bagagem de mão para evitar exposição a temperaturas inadequadas no compartimento de cargas.
Validade e descarte correto
Antes de utilizar a insulina, verifique sempre a data de validade e observe se há alteração no aspecto do produto.
Além disso, agulhas, seringas e outros materiais perfurocortantes não devem ser descartados no lixo comum. O recomendado é armazená-los em recipientes adequados e seguir as orientações do serviço de saúde para o descarte correto.
Mitos e verdades sobre a insulina
A insulina vicia?
Mito. A insulina não causa dependência nem “vicia” o organismo. Ela é um hormônio naturalmente produzido pelo corpo e, quando usada como medicamento, tem a função de substituir ou complementar a insulina que o organismo não consegue produzir ou usar adequadamente.
Usar insulina significa que o diabetes está grave?
Mito. A necessidade de usar insulina não significa, necessariamente, que o diabetes está em estágio grave. É preciso, no entanto, manter acompanhamento médico regular e seguir as orientações do profissional de saúde para que a doença se mantenha estabilizada e, consequentemente, sem gravidade.
Insulina engorda?
Depende. A insulina é um hormônio que participa de diversos processos metabólicos relacionados ao aproveitamento e ao armazenamento de energia pelo organismo.
Quando uma pessoa com diabetes apresenta deficiência de insulina, é comum ocorrer perda de peso. Com o início do tratamento e a melhora do controle glicêmico, esse peso perdido pode ser recuperado.
Por outro lado, o ganho excessivo de peso não é um efeito inevitável da insulina. Ele costuma estar mais relacionado ao consumo de calorias acima das necessidades do organismo e ao desequilíbrio entre alimentação, atividade física e doses de insulina.
FAQ: Perguntas frequentes sobre a insulina
1. Qual a diferença entre a insulina produzida pelo corpo e a industrializada?
A insulina natural é produzida pelo pâncreas. Já a industrializada é um medicamento desenvolvido para substituir ou complementar a ação desse hormônio quando o organismo não consegue produzi-lo adequadamente ou utilizá-lo de forma eficiente.
2. Quem usa insulina pode comer de tudo?
O uso da insulina não elimina a necessidade de manter hábitos alimentares saudáveis. Pessoas com diabetes podem ter uma alimentação variada, mas é importante seguir as orientações médicas.
3. O que fazer se esquecer de aplicar a insulina?
A conduta pode variar de acordo com diversos fatores. Por isso, é imprescindível seguir as orientações recebidas do médico ou da equipe de saúde e evitar compensar a dose por conta própria.
4. Como saber a dose correta de insulina?
A dose de insulina é individualizada e leva em consideração fatores como idade, peso, tipo de diabetes, alimentação, rotina e resultados da glicemia. Apenas o médico pode definir a quantidade adequada para cada pessoa.
5. A insulina tem efeitos colaterais?
Como qualquer medicamento, a insulina pode causar efeitos indesejados em algumas situações. O acompanhamento médico regular ajuda a prevenir complicações e a garantir que o tratamento seja realizado de forma segura e eficaz.